A Muda VEIO à Marcenaria



Vera e Ricardo


Na terra e no ar.

Os elementos do zodíaco batem certo com o historial de Vera, Designer de Interiores e Ricardo, Ex-Marinheiro.

Trabalham juntos e o amor entre os dois esteve lá sempre , mas só lhe deram atenção em 2015. Tal como a mesa que estava perdida algures na oficina do pai da Vera, estofador, e que hoje é a peça estrela da sala de jantar deste casal que a adora encher de amigos.

Com a Marcenaria Artística Pereira têm em comum o gosto pela #slowfurniture. Gostam da simplicidade e da durabilidade, com o máximo da qualidade e harmonia. E antes de escolher as peças, olham para as pessoas e para as suas histórias.

Pensam e criam os projectos mais bonitos para casa dos seus clientes, mas, para eles, só precisam de uma casa onde estejam os dois.

O amor vem do coração e a decoração vem deste amor. Nesta entrevista falámos da necessidade (ou não) da mudança e dos significados que isso pode ter, da relação entre casal e das relações que se criam entre clientes, de simplicidade, de amor e de pessoas. Porque o amor é a base de tudo, e é a base desta empresa e deste casal que se fundem e completam tão bem, sem se perderem neste mar criativo. AHOY, marinheiros! Entrem a bordo do navio MUDA Home Design e conheçam os tripulantes Vera e Ricardo!



Contem-nos um bocadinho do vosso percurso profissional.

R - Eu tinha um trabalho completamente diferente, por muita influência familiar. O meu pai foi durante 30 e muitos anos oficial da marinha mercante. E eu acabei por seguir os seus passos. Mas entretanto começámos a namorar em 2013 e eu estava a tirar o mestrado. Embarquei uma vez e foi um grande desafio. Em 2015 começámos a viver juntos e depois de ter embarcado naqueles que foram os piores 4 meses da nossa vida, comecei a reflectir e decidi deixar a Marinha….

V - Aquilo não era viver! E o problema não era estarmos longe, era por não podermos falar um com o outro! É uma coisa inexplicável! Não havia internet e só podíamos falar uma vez por semana. Com o tempo, naturalmente o Ricardo começou a ajudar-me, com alguns desenhos e coisas mais burocráticas. Conta a mãe do Ricardo que ele queria ser arquitecto quando era pequenino. E um dia dei por mim a pensar: “Porque é que não vens trabalhar comigo?” Trabalhávamos tão bem juntos e eu andava à procura de alguém… Afinal, tinha a pessoa ao meu lado!


Como se cruzaram os vossos caminhos?

R - A Vera é irmã do meu melhor amigo, com quem andei nos escuteiros desde os 13 anos, mas mal nos cruzámos durante estes anos todos.

Viemos a descobrir que morámos na mesma rua desde que eu nasci mas praticamente não nos conhecíamos. Só mais tarde começámos a dar-nos bem e surgiu naturalmente.

V - Nem nunca imaginámos!



Como nasceu a MUDA?

V - A MUDA nasceu da minha necessidade de mudança. Quando saí da faculdade comecei a trabalhar na área de Design de Iluminação, que era na altura uma área pouco explorada. Aprendi bastante, principalmente a ser sensível à importância da iluminação dos espaços. Mas cheguei a uma fase em que sentia precisar de mais, que já não trazia nada de novo. As coisas começaram a surgir naturalmente e comecei a fazer projectos para clientes. Em 2013 decidi despedir-me e começar a MUDA Home Design. “MUDA” vem de mudança, pois sinto que, quando estamos a intervir num espaço, quer seja residencial ou comercial, estamos inevitavelmente a mudar a vida das pessoas.




E também porque há a necessidade de quem vos procura de mudar alguma coisa, nem que seja a decoração da casa?

V - Sim, há quem sinta essa necessidade de mudança na vida e comece por mudar as coisas mais “fáceis”, nem que seja a disposição dos móveis da sala, ou mudar a cor das paredes,... não significa que sejam pessoas com facilidade em mudar. Há outras pessoas que já têm vidas tão instáveis, que gostam de manter as coisas em casa como estão.


Como é a vossa relação com os clientes?

V - É algo que vamos desenvolvendo durante o projecto e que fazemos questão de ser próxima. Inicialmente, não pretendemos ser invasivos, mas, com o tempo, as pessoas vão percebendo o nosso papel e cria-se uma cumplicidade muito grande.

R - O que é bom e muitas vezes necessário, porque estamos a entrar na casa das pessoas e conhecer a sua vivência, ajudam-nos a perceber como é que elas são. Se não soubermos, podemos estar a colocar peças que possam trazer memórias ou a ferir algum aspecto mais sensível. Daí ser muito importante conhecer os nossos clientes o melhor possível. A confiança que se cria entre nós é muito importante, levando ao sucesso do projecto.



Quais os maiores desafios e alegrias de trabalhar em casal?

R - A coordenação do espaço. Porque estamos sempre juntos, até nos sentamos na mesma secretária! Eu acho que é o maior desafio: o entrelaçar das barreiras do pessoal e do profissional. Mas nós trabalhamos juntos e sabemos bem o que cada um tem de fazer. Ajuda o facto de estarmos em áreas diferentes - a Vera na parte criativa e eu mais com apresentações, papeladas e burocracias.

V - Sim, gerir as emoções, por vezes é o maior desafio, principalmente nos dias mais difíceis. Mas na maior parte das vezes, são mais as alegrias que partilhamos.





Três adjetivos/palavras que descrevem os vossos designs.

V - Simples. Mas temos de ter alguma atenção quando usamos a palavra “simplicidade” porque pode ser mal interpretada. Às vezes uma coisa bonita e aparentemente simples, tem um trabalho e dedicação enorme que nem sempre se vê.

R - Basta ver a definição de simples no dicionário. Está lá tudo aquilo em que acreditamos: puro, natural, sem luxo, exclusivo.

V - E a simplicidade de ter espaço e leveza, um ambiente fluído e em harmonia! Ser minimalista vai ao encontro daquilo que as pessoas precisam. A vida já tem demasiadas coisas lá fora… a casa deve ser o nosso templo!

R - E o conforto é a base de tudo. Gostamos que os interiores transmitam tranquilidade e que perdurem no tempo.

V - Sim, a intemporalidade! Porque somos um bocadinho anti-modas. Gostamos de peças intemporais até porque achamos essencial preocuparmo-nos com o planeta. Queremos escolher materiais de qualidade, que sejam duráveis e que acompanhem as pessoas durante a vida. Até agora nunca nos aconteceu termos clientes que se tenham cansado dos ambientes criados.

R - Como nos provaram estes tempos, a casa tem de ser um espaço onde estejamos bem em qualquer altura, em paz e tranquilos.


Quais as peças/materiais que estão sempre presentes numa casa pensada pela MUDA Home Design?

V - Os materiais naturais: o linho, o algodão, a madeiras naturais, as lãs...e os tons naturais.

R - E eu já brinco com a Vera porque já existem peças que se repetem. Gostamos de fazer projectos exclusivos, mas há peças realmente muito bonitas e que fazem sentido repetirem-se.

V - Acima de tudo peças ou materiais sustentáveis e sempre que possível, de origem portuguesa.





Conseguem descrever uma casa perfeita?

R - Para mim, é uma casa onde estamos os dois lá dentro! (Risos)

V - A casa perfeita, para mim, deve estar integrada num espaço natural, onde a natureza quase que entre no interior. Com janelões enormes, luz natural, onde a paisagem seja como uma peça de arte. Também é muito importante que a casa, tanto o interior como a sua própria arquitectura, respeite o espírito do lugar: uma casa no Gerês é diferente de uma casa do Algarve ou no centro de Lisboa.


Quais o(s) projecto(s) que mais vos orgulham ou que melhor vos representam?

R - São muitos os projectos que nos marcam, pelas pessoas e pelas suas histórias. Há o projecto do apartamento da Estefânia, em Lisboa, que foi um sucesso no Archilovers. Dos cerca de 50 000 projectos internacionais publicados no site em 2019, o nosso ficou nos melhores 1000!

V - A nível de arquitectura foi uma remodelação muito bem feita, ainda antes de intervirmos na decoração.

R - E o de Odeceixe, que foi um projecto que adorámos fazer. Pudemos intervir ainda na fase de construção, ajudando na escolha de todos os materiais e acabamentos, desenhando mobiliário, tornando o projecto ainda mais personalizado.

V - É o projecto que mais nos representa! Tivemos muita liberdade e conseguimos integrar bastantes peças portuguesas, inclusivé alguns tapetes e almofadas feitos à medida, criados com desperdício têxtil e que dão outra alma à casa. Inspirados pelos ambientes de praia e campo onde a casa se insere, criámos uma casa muito serena e tranquila.

R - Foi um projecto longo pela parte da construção mas muito pormenorizado. Além destes dois projectos, também destacamos um apartamento em Aveiro, onde se criou uma ligação óptima com os clientes e onde colocámos peças que adoramos. Mas esse ainda não podemos mostrar porque está ainda a decorrer.


Que imagens e sensações vos traz a palavra marcenaria? Quando pensam em marcenaria pensam em…?

V - A sensação de conforto. Sempre tive contacto com madeiras, através do meu pai que é estofador. E ligo sempre marcenaria com memórias.

R - Eu sinto o cheiro dos móveis da casa dos meus avós. Eles viveram sempre na mesma casa, sempre com os mesmos móveis e sempre no mesmo sítio. E também as imagens das mãos, o som da plaina a raspar na madeira e o pó no ar… a própria palavra marcenaria é muito bonita, tem uma certa riqueza.

Têm alguma madeira preferida?

R - Basta olhar para os nossos projectos!

V - Eu gosto muito de carvalho e freixo.

R - Eu, como homem, gosto muito da nogueira. Principalmente da junção com o preto.


Qual é a vossa peça de mobiliário preferida?

R - Eu sou o prático. Adoro mesas. De refeição e de trabalho.

V - Eu - não sei se pelo meu histórico - adoro cadeirões e cadeiras. Aliás, faço coleção de cadeiras. Algumas que iam para o lixo e as pessoas davam-me e eu pedia ao meu pai para restaurar, outras que fui comprando. E a nossa história até tem uma cadeira! Uma cadeira de rabo de bacalhau com um coração que o Ricardo me ofereceu, de surpresa, ainda antes de namorarmos.

R - A nossa história de amor começou por uma cadeira. E agora está lá em casa.


Qual é a peça de mobiliário mais antiga que têm em casa?

V - Eu gostava de ter mais! Não sabemos ao certo se será uma mesa de jantar que o meu pai tinha e nós recuperámos ou um cadeirão que apanhámos do lixo. Quando estávamos a decorar a nossa casa, o meu pai já me tinha falado da mesa mas nós nem olhámos bem para ela e continuámos à procura nas lojas. Queríamos uma mesa extensível, que sentasse muitas pessoas, mas que, quando fechada, ocupasse pouco espaço. Corremos todo o lado e quando já estávamos desesperados, vimos melhor a mesa do meu pai e apaixonamo-nos! Era a tal.

R - É uma mesa quadrada, extensível e onde, sem saber bem como, já sentámos 14 pessoas. Estilo D. José, muito bonita.

E toda a gente que vai lá a casa adora a mesa!



Qual foi a maior loucura que já fizeram por uma peça?

V - Já me aconteceu estar a subir a Rua de S.Bento e passar por uma loja de antiguidades e apaixonar-me por uma máquina de costura da Singer, daquelas antigas. Ainda vivia com os meus pais e não comprei logo porque eles iam achar-me doida (nem sei costurar). Mas quando cheguei ao Rato, não resisti! Voltei a descer e fui comprá-la.

R - E houve uma peça que já nos levou à loucura. Uma jarra azul e branca, que a Vera usou como inspiração para o projecto de Odeceixe e que a loja se enganou na entrega - venderam-nos uma outra versão da jarra, em cinza e branco. Quando pedimos para trocá-la, já só existiam as das montras, que tinham uma lista de espera enorme para a compra.

V - Tive de lhes explicar que tinha feito todo um projecto em torno daquela peça e que o erro deles teria de ser corrigido.

R - Depois de algum esforço, acabaram por trocar-nos a jarra e no final correu tudo bem. Mas tudo deixou-nos loucos!

V - Mas somos pessoas para fazer loucuras por algo que gostamos muito!


Se pudessem ser marceneiros por um mês, que peça construíam?

V - Não sei se teria jeito para isso, porque não sou pessoa de meter a mão na massa. Não sou muito da construção, mas imaginando… acho que gostava de fazer um banquinho. Uma coisa simples!

R - Uma mesa de refeições ou uma mesa de trabalho. São peças que eu adoro ver e já vi umas quantas que eu adorava ter ou fazer.


Qual é a vossa peça de sonho? Se ganhassem a lotaria, que peça encomendariam à Marcenaria já hoje para ter em vossa casa?

V - Eu escolheria um livreiro, uma estante enorme para colocar livros e jarras, que eu adoro.

R - Eu acabo por ir para a mesma coisa: uma mesa. Porque adoramos comer, cozinhar e receber pessoas e, principalmente, estar confortável à mesa. É uma peça de mobiliário mesmo importante. E há certos pormenores na madeira e na construção da peça, como os pés ou os acabamentos do tampo, que eu gosto muito.


5 contas de Instagram que adoram?

@gracapaz_studio , @claudiatrongmo , @tentonatinta , @portugal_manual , @tintaluhrman


5 contas de Instagram que vão gostar de conhecer a Marcenaria Artística Pereira?

@woodchuck.nl , @joaomanardu (NOTA: não faz muitos posts, mas adoramos as peças), @deraizdesign , @banema_madeiras , @alexcastroferreira7770 , @lacuna.work


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VEIO n.m.

Designação de uma faixa alongada e relativamente estreita que, na terra, nas rochas ou na madeira, se diferencia pela tonalidade distinta ou pela essência da respetiva substância;

Verbo VIR - Conjugar

(latim venio, -ire, vir, chegar, cair sobre, avançar, atacar, aparecer, nascer, mostrar-se)

verbo transitivo, intransitivo e pronominal

Transportar-se de um lugar para aquele onde estamos ou para aquele onde está a p pessoa a quem falamos; deslocar-se de lá para cá.

Chegar e permanecer num lugar.

As entrevistas VEIO são mais uma forma de fazer prosperar a arte da Marcenaria Portuguesa. Por aqui vão chegar e permanecer os amantes da madeira, da decoração e das artes decorativas, os artesãos e artistas portugueses cujas áreas de actuação são um complemento à Marcenaria e que, de alguma forma, casam bem com as nossas madeiras.

Acompanhem as próximas. Sugiram entrevistados.Também podem vir e ficar.

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