O Gui VEIO à Marcenaria



Gui Morelli


Tem 39 anos, nasceu em São Paulo, no Brasil, e trabalha com fotografia desde sempre.

Aterrou em Portugal há 3 anos e chegou à Marcenaria com as melhores recomendações. É dele a autoria das nossas fotografias e se tinha sido bom trabalhar com ele, melhor foi ficar a conhecê-lo.

A sua gentileza e humildade, a dedicação com que se entrega a cada fotografia, resultaram na perfeição com a nossa forma detalhista e exigente de trabalhar. E a sua personalidade tranquila encanta qualquer um.

Queremos muito repetir mais sessões com o Gui. Vamos torcer para que continue a ter mais e mais trabalho, porque o seu talento assim merece. E vamos torcer ainda mais para que ganhe lotaria porque, se assim for, a Marcenaria vai ter imenso trabalho só em encomendas para a sua casa!

Repetiu N vezes que é péssimo com as palavras e que é melhor com imagens. Não concordamos com a primeira afirmação, mas asseguramos que é realmente genial a captar imagens. Arquitectura, produto e pessoas. O Gui sabe fotografar.

Mas fazendo-lhe a vontade, desta vez a entrevista VEIO acontece em forma de exposição.

O Gui VEIO à Marcenaria e elevou-a a galeria de arte. Entrem e conheçam a luz deste lisboeta-brasileiro, super talentoso Gui Morelli e saibam como nasceu esta paixão por fotografar casas e não só.




Conte-nos um pouco do seu percurso.

O início da minha viagem no universo da fotografia profissional foi aos 14 anos quando tive o meu primeiro emprego como assistente de fotógrafo. Aí pude aprender na prática e participar do dia a dia de um estúdio e assim entender, realmente, como seria viver de fotografia e para a fotografia.




Como começou este amor pela fotografia?

Sempre gostei de fotografia desde muito pequeno. As imagens e a possibilidade de “guardar um instante” me fascinavam. Sempre que tinha a oportunidade eu gostava de poder ficar com a câmera nas viagens e fazer algumas fotos. Quando me tornei assistente e puder vivenciar a fotografia no meu dia-a-dia, o amor só aumentou! E tem aumentado mais a cada dia!


Lembra-se da primeira fotografia que tirou? Se sim, conte-nos um bocadinho da história desse momento - a quem foi, onde estava, o que sentiu…

Não me lembro ao certo a primeira fotografia que fiz, mas me lembro de sempre que possível poder ter a câmera nas mãos e poder de certa forma captar aquilo que via.


A fotografia é uma profissão, uma paixão, um hobbie ou todas as opções anteriores? Todas as opções anteriores. É a opção da minha vida.



E o gosto por fotografar casas? Como surgiu? Naquele estúdio onde tive o meu primeiro trabalho da vida, fotografavam na maioria das vezes produtos para publicidade e isso foi uma grande escola em toda essa parte “técnica” da fotografia. Quando saí desse estúdio fui trabalhar com Tuca Reines que é um dos maiores nomes da fotografia de arquitetura e interiores do Brasil. Trabalhei com ele por 7 anos e ele foi o meu grande mestre. Ele me ensinou a entender e respeitar a luz natural. Trabalhar com luz natural é um exercício de paciência acima de tudo, pois para conseguirmos um resultado muitas vezes a única coisa a se fazer é esperar que a luz esteja da maneira que quer.

Nada mostra mais o que uma pessoa é do que sua casa. É algo extremamente íntimo e eu me sinto privilegiado das pessoas me receberem em seus lares e me deixarem registrar de alguma forma os seus universos particulares. Não tem como não se apaixonar por isso. Cada casa é uma história.



Tem outros hobbies? Gosto de pintar e desenhar. Me acalma.


Se não fosse fotógrafo profissional, seria…? Com certeza alguma outra profissão ligada às artes.


Consegue descrever uma fotografia perfeita?

Acho que a fotografia perfeita é a que emociona. Aquela que te faz parar e ficar ali olhando para ela e não pensar em mais nada além do que lá está.



Quem são as suas referências na fotografia, na arquitetura, no design...? Poderia dar uma lista interminável mas vou tentar eleger alguns. Na fotografia Bernd e Hilla Becher, Jeff Wall, Henri Cartier-Bresson, Ansel Adams, Cristiano Mascaro, Berenice Abbott entre muitos outros.

Na arquitetura e design pode ser o Paulo Mendes da Rocha, Oscar Niemeyer, Le Corbusier, Frank Lloyd Wright, Álvaro Siza Vieira, Sergio Rodrigues, Geraldo de Barros e mais muitos. Poderia citar uma lista infindável de nomes tanto na fotografia, arquitetura, pintura, escultura, música. Tanta coisa me influencia! Há quanto tempo está em Portugal? Há quase 3 anos.



Já viveu noutros lugares? Como foi a decisão de sair do Brasil para vir morar em Lisboa? Já conheci muitos e lugares, mas sempre vivi em São Paulo antes de me mudar para Lisboa. Acho que a minha escolha por Lisboa foi pelo facto de não me sentir tão estrangeiro aqui. Sempre me senti muito bem e sempre fui tratado com muito carinho e respeito desde a primeira vez que vim pra cá. E a luz dessa cidade sempre me encantou! Eu como fotógrafo estou sempre atrás da luz. Acho que fiz a escolha certa!



Como é ser lisboeta? O que mais gosta no nosso país? Acho que não posso me considerar lisboeta. Estou ainda conhecendo Portugal e cada vez gosto mais daqui.Acho que ainda tenho o frescor no olhar para quase tudo que vejo e vivo aqui. Isso me encanta e me faz cada vez mais gostar dessa cidade e desse país. Gosto imenso da comida portuguesa também!!!


A diferença do Português de Portugal e do Português do Brasil já o deixou em alguma “saia justa”? Confesso que logo que cheguei muitas vezes não entendia algumas pessoas principalmente por telefone. Acho que agora já estou a perceber bem melhor!



Recebemos várias mensagens de marceneiros brasileiros que querem vir trabalhar em Portugal. Se pudesse deixar um conselho aos seus compatriotas que querem vir para cá, o que diria? Se vier pense que quem terá que se adaptar será você! Isso é válido para qualquer outro lugar do mundo onde vai viver. Não queira mudar o local para onde você está indo viver e sim tente perceber esse lugar e as pessoas que nele vivem e se adapte a ele.


Quais são as suas marcenarias preferidos no Brasil?

Gosto imenso do trabalho da Etel Design que faz reedições de mobiliário modernista brasileiro e também coleções de designers contemporâneos brasileiros que gosto muito.


Como tem corrido o teu trabalho cá em Portugal e com os portugueses?

Trabalho com vários ateliers de arquitetura e interiores, revistas, agências de comunicação e publicidade, alguns artistas também... e estou muito feliz aqui em Portugal! Todos os dias conheço pessoas novas que fazem trabalhos incríveis. Está sendo mesmo inspirador para mim.




Há algum projecto que queiras destacar?

Gosto imenso do que faço e todo projeto sempre foi e sempre será tratado com imenso carinho e cuidado.

Não posso eleger um que goste mais, pois cada projeto é sempre diferente do outro e isso me motiva a sempre dar o meu melhor e atender e superar as expectativas de quem acredita e confia em mim.


Que imagens e sensações lhe traz a palavra marcenaria? Quando pensa em marcenaria pensa em…?

Acho que sensorialmente falando seria o cheiro. O cheiro da madeira é algo único, talvez por toda a história que tem por trás daquela matéria prima. Acho mesmo lindo esse ofício de poder transformar essa matéria prima tão nobre que é a madeira. Tantas texturas, cores, padrões e desenhos. A madeira é encantadora!




Tem alguma madeira preferida? Jacarandá


Qual é a sua peça de mobiliário preferida? Acho que uma poltrona Le Corbusier que já tenho há um bom tempo.


Qual é a peça de mobiliário mais antiga que tem em casa? Uma arca que era da minha avó.


Qual foi a maior loucura que já fez por uma peça? Já encontrei muitas peças pela rua e já carreguei algumas bem pesadas nas costas para poder levá-las para casa.


Se pudesse ser marceneiro por um mês, que peça construía? Acho que constrúia uma canoa.


Uma canoa? UAU! E Porquê?

Acho que por ser uma peça feita de um único tronco de madeira e que me remete muito a cultura indígena brasileira.

Qual é a sua peça de sonho? Se ganhasse a lotaria, que peça encomendaria à Marcenaria já hoje?

Se ganhasse na lotaria boa parte da casa que eu iria construir seria de madeira. A Marcenaria teria imenso trabalho!!!


5 contas de instagram que adora? @new_brutalism @streetphotographyinternational @lensculture @archdaily @atlas_of_atmosphere


E 5 contas de Instagram que vão adorar conhecer a Marcenaria Artística Pereira?

@pauloalvesdesign @casaejardim @monicabarbosabr @livingdesignbr @friendsofffriends








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VEIO n.m.

Designação de uma faixa alongada e relativamente estreita que, na terra, nas rochas ou na madeira, se diferencia pela tonalidade distinta ou pela essência da respetiva substância;

Verbo VIR - Conjugar

(latim venio, -ire, vir, chegar, cair sobre, avançar, atacar, aparecer, nascer, mostrar-se)

verbo transitivo, intransitivo e pronominal

Transportar-se de um lugar para aquele onde estamos ou para aquele onde está a p pessoa a quem falamos; deslocar-se de lá para cá.

Chegar e permanecer num lugar.

As entrevistas VEIO são mais uma forma de fazer prosperar a arte da Marcenaria Portuguesa. Por aqui vão chegar e permanecer os amantes da madeira, da decoração e das artes decorativas, os artesãos e artistas portugueses cujas áreas de actuação são um complemento à Marcenaria e que, de alguma forma, casam bem com as nossas madeiras.

Acompanhem as próximas. Sugiram entrevistados.Também podem vir e ficar.

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